A cultura, em seu sentido mais amplo, de acordo com Douglas Kellner, no
livro A cultura da mídia, é uma forma
de atividade que implica alto grau de participação, na qual as pessoas criam
sociedades e identidades (KELLNER, p.11, 2001). No caso da cultura da mídia,
rádio, televisão, cinema e outros produtos da indústria cultural, modelam
opiniões políticas e comportamentos sociais. “A cultura da mídia fornece o
material que cria as identidades pelas quais os indivíduos se inserem nas
sociedades tecnocapitalistas contemporâneas, produzindo uma nova forma de
cultura global” (KELLNER, p.9, 2001).
Nesse contexto, analisando o filme Ó
paí ó, dirigido por Monique Gardenberg, percebemos que ele pode ser
considerado um produto da cultura da mídia, já que, é revelada a singularidade
cultural brasileira através do carnaval. O filme conta a história de pessoas
que moram em um cortiço, próximo ao Pelourinho em Salvador, Bahia, os
personagens contracenam temas polêmicos da realidade baiana, como a miséria, o
preconceito, a traição, a homossexualidade, a tragédia, a corrupção e a forma
de convivência com os temas.
O carnaval é a maior, mais popular e mais importante festa do Brasil. De
acordo com Roberto DaMatta no livro O que
faz o brasil, Brasil, “para nós, brasileiros, a festa é sinônimo de
alegria” (DAMATTA, p.69, 1986), no caso do filme Ó paí ó, os personagens misturam a pobreza e a alegria, tentam
esquecer seus problemas através da música e da dança. DaMata define o carnaval
como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e
utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres, todos são iguais
perante o carnaval (DAMATTA, p.73, 1986). É o que acontece com os personagens
do filme, ao tentarem esquecer, ou deixar de lado seus problemas e tristezas
através da música e da dança no carnaval.
O filme Ó pai ó, assim como o
filme Faça a coisa certa de Spike Lee
mostra como a identidade cultural pode ser expressa pela música popular. A
comunidade é dividida por diferentes estilos de música. No filme de Monique
Gardenberg esses diferentes estilos são representados pelo axé, o reagge e o
rap.
Para Kellner, a cultura da mídia “reproduz as lutas e os discursos
sociais existentes, expressando os medos e os sofrimentos da gente comum, ao
mesmo tempo fornece material para a formação de identidades e dá sentido ao
mundo” (KELLNER, p.203, 2001). A autora apresenta a experiência de vida e o
modo de como a maioria dos baianos falam, andam, se vestem e agem, com base nas
gírias, na música, nos estilos, comportamentos e conflitos que têm entre si, assim
como o autor americano Spike Lee aplica em seus filmes (KELLNER, p.206, 2001).
Em relação ao preconceito, o que ocorre no filme de Spike Lee, não é exatamente o
racismo entre raças e etnias, mas uma distribuição desigual de poder e riqueza,
com relação aos conterrâneos e os turistas do resto do país e do mundo. Os
moradores, para a sobrevivência do comércio local aprendem à língua estrangeira
(no caso, o inglês) para se comunicar melhor com os turistas de outros países.
O que pode fazer com que a sociedade local perca um pouco de sua cultura e
costumes.
REFERÊNCIAS
DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil? Rio de
Janeiro: Rocco, 1983.
GARDENBERG, Monique. Ó pai ó. Salvador, 2007.DVD, Duração: 96 min.
GARDENBERG, Monique. Ó pai ó. Salvador, 2007.DVD, Duração: 96 min.
KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. Bauru: Edusc, 2001.


Texto elaborado para a disciplina de Leitura Crítica dos Produtos Culturais - 2011.
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