quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Análise do filme Ó pai ó, dirigido por Monique Gardenberg e do texto A voz negra: de Spike Lee ao rap, do livro A cultura da mídia de Douglas Kellner


A cultura, em seu sentido mais amplo, de acordo com Douglas Kellner, no livro A cultura da mídia, é uma forma de atividade que implica alto grau de participação, na qual as pessoas criam sociedades e identidades (KELLNER, p.11, 2001). No caso da cultura da mídia, rádio, televisão, cinema e outros produtos da indústria cultural, modelam opiniões políticas e comportamentos sociais. “A cultura da mídia fornece o material que cria as identidades pelas quais os indivíduos se inserem nas sociedades tecnocapitalistas contemporâneas, produzindo uma nova forma de cultura global” (KELLNER, p.9, 2001).

Nesse contexto, analisando o filme Ó paí ó, dirigido por Monique Gardenberg, percebemos que ele pode ser considerado um produto da cultura da mídia, já que, é revelada a singularidade cultural brasileira através do carnaval. O filme conta a história de pessoas que moram em um cortiço, próximo ao Pelourinho em Salvador, Bahia, os personagens contracenam temas polêmicos da realidade baiana, como a miséria, o preconceito, a traição, a homossexualidade, a tragédia, a corrupção e a forma de convivência com os temas.
O carnaval é a maior, mais popular e mais importante festa do Brasil. De acordo com Roberto DaMatta no livro O que faz o brasil, Brasil, “para nós, brasileiros, a festa é sinônimo de alegria” (DAMATTA, p.69, 1986), no caso do filme Ó paí ó, os personagens misturam a pobreza e a alegria, tentam esquecer seus problemas através da música e da dança. DaMata define o carnaval como “liberdade” e como possibilidade de viver uma ausência fantasiosa e utópica de miséria, trabalho, obrigações, pecado e deveres, todos são iguais perante o carnaval (DAMATTA, p.73, 1986). É o que acontece com os personagens do filme, ao tentarem esquecer, ou deixar de lado seus problemas e tristezas através da música e da dança no carnaval.
O filme Ó pai ó, assim como o filme Faça a coisa certa de Spike Lee mostra como a identidade cultural pode ser expressa pela música popular. A comunidade é dividida por diferentes estilos de música. No filme de Monique Gardenberg esses diferentes estilos são representados pelo axé, o reagge e o rap.
Para Kellner, a cultura da mídia “reproduz as lutas e os discursos sociais existentes, expressando os medos e os sofrimentos da gente comum, ao mesmo tempo fornece material para a formação de identidades e dá sentido ao mundo” (KELLNER, p.203, 2001). A autora apresenta a experiência de vida e o modo de como a maioria dos baianos falam, andam, se vestem e agem, com base nas gírias, na música, nos estilos, comportamentos e conflitos que têm entre si, assim como o autor americano Spike Lee aplica em seus filmes (KELLNER, p.206, 2001).
Em relação ao preconceito, o que ocorre no filme de Spike Lee, não é exatamente o racismo entre raças e etnias, mas uma distribuição desigual de poder e riqueza, com relação aos conterrâneos e os turistas do resto do país e do mundo. Os moradores, para a sobrevivência do comércio local aprendem à língua estrangeira (no caso, o inglês) para se comunicar melhor com os turistas de outros países. O que pode fazer com que a sociedade local perca um pouco de sua cultura e costumes.


REFERÊNCIAS

DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil? Rio de Janeiro: Rocco, 1983.

GARDENBERG, Monique. Ó pai ó. Salvador, 2007.DVD, Duração: 96 min.

KELLNER, Douglas. A cultura da mídia. Bauru: Edusc, 2001.

Um comentário:

  1. Texto elaborado para a disciplina de Leitura Crítica dos Produtos Culturais - 2011.

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